Vida escolar
Eu podia começar falando que eu gosto de tintas, de tentar fazer coisas malucas na cozinha, de cuidar do jardim daqui de casa, mesmo que seja minúsculo, mas nada disso importa, porque são coisas que não me incomodam, que não me machucam e o propósito disto aqui inicialmente é vomitar todos sentimentos que consomem minha sanidade mental.
Eu me lembro que eu não era assim. Eu sofria preconceito por ser gorda, as outras criancinhas me chamavam de nomes que me deixava triste, naquela época. Ser chamada de baleia, saco de cimento e coisas do estilo são coisas que atualmente me fazem ri e dizer “ok, obrigada, perfeição da natureza”. Eu não me importo mais com críticas desse nível. Eu tentava ter amigos, mas parecia um esforço em vão. Hoje eu percebo que os amigos aparecem quando você não quer ou está bem do jeito que está. Não consigo entender a lógica disso. Durante minha infância eu brinquei muito no parquinho que tinha lá no colégio, cantava musiquinhas infantis legais que não sei se ensinam mais, brincava de tintas, de pintar, de cortar papeis. Todas essas coisas eram prazerosas. Todas essas coisas ainda são prazerosas. Tinha uma “tia” que tocava violão e cantava a música das borboletas. A gente ia pro gramado fora do colégio e ficava debaixo de uma árvore cantando. Tinha uns eventos temáticos no colégio quase sempre também. Lá tinha uma piscina, mas eu não me lembro de ter entrado nela. Eu odiava as meninas populares que olhavam feio pra mim e tacava xixi de macaco nelas e casca de cigarras. Lembro que naquela época eu ainda gostava do meu pai e que ele me levava pro colégio todas as manhãs.
Eu não tinha amigos, apenas alguns colegas que eu mal lembro os nomes. Depois eu mudei de colégio porque não tinha mais séries lá, fui pra um que as pessoas me achavam um monstro porque quando eu não estava satisfeita com algo, eu batia, brigava, xingava, não conseguia controlar a raiva. Fiquei só 2 anos lá. Mudei pra outro que achava que ia ser legal. Cheguei lá e não consegui fazer amizade com ninguém durante a segunda série. Na terceira eu falava com a Tereza Raquel, Rafael e Gustavo (são os que eu lembro o nome). Eu ainda era uma espécie agressiva, mas já estava melhorando meu convívio social. A Tereza Raquel era minha melhor amiga. Eu gostava do Rafael e do Gustavo, mas era aquela coisa de criança e tal. Na quarta série eu fiz uma besteira e tive que mudar de colégio de novo.
Mudei e as pessoas também tinham medo de mim. Eu ainda era agressiva. Lembro até hoje do dia que eu joguei refrigerante no cabelo da Letícia e do dia que eu soquei um menino que me pertubava. Nunca mais eu me importei com ofensas. Na quarta série eu me apaixonei pela primeira vez. Era um menino inteligente, com cabelo bagunçado, magrelo, super aleatório e usava óculos. Meu estereotipo masculino. Quando ele faltava, eu sentia um vazio imenso dentro de mim. Acho que em algum momento chegou aos ouvidos dele que eu gostava dele. Ele não gostava de mim do mesmo modo. Aprendi a superar. Na quinta série eu era super popular, tinha incontáveis “amigos”, foi um ano que eu me sentia interiormente preenchida, as coisas iam bem. Não me lembro ao certo o que aconteceu na sexta série, mas fui perdendo esses “amigos”. No ano seguinte mudei-me para o turno da manhã. Não conhecia absolutamente ninguém. Fui aos poucos tentando me entrosar. Foi o melhor ano da minha vida. Eu conheci ótimas pessoas. Thais e João Guilherme. A Thais era a minha metade, me ajudava quando eu tinha desmaios, ria de todas as coisas aleatórias que eu dizia, eu me sentia satisfeita só com essas duas pessoas. Fiz uma viagem de caravana a São Paulo e conheci muita, muita gente. João Guilherme gostava de animes e eu também. A Thais me entendia. Atualmente Guilherme foi para o nordeste e Thais acabou de voltar de Florianópolis. Não tenho tanto contato com ela, pois não é exatamente o tipo de amizade que eu consigo manter hoje em dia. Somente compartilhamos momentos vividos no passado e tentamos não esquecer uma das outras.
Oitava série foi um ano perturbado, eu novamente perdi contato com as pessoas que eu conheci durante a viagem. Colocava a vida pra frente, fazia RPG passava minhas tardes com a Talita e Bruna estudando na biblioteca. Eu só queria que aquele ano acabasse logo.
Ele acabou. Não fiz formatura. Fiquei feliz por me livrar daquele colégio. Fui pra outro. Também tive dificuldades de adaptação. Ninguém gostava de mim e eu me isolei. Tinha a Júlia. Eu gostava dela. Achava linda, atraente, inteligente, delicada.. Ah! Mudei de turma no meio do ano e se arrependimento matasse, não teria passado dos 14 anos. Continuei isolada, mas não me importava muito. Em agosto houve a festa do templo. Reencontrei com uma pessoa que estudou comigo em 2007. Rafael. Lembro que ficamos bastante tempo conversando como estava minha vida naquele momento. Ele pegou meu telefone e ligou alguns dias depois. O motivo pelo qual eu me importei por ter reencontrado ele é que Thais sempre me dizia que ele gostava de mim, e eu ignorava. Paguei pra ver se ainda era verdade. Tentei esquecer Júlia com a presença dele. E 2009 acabou. Em janeiro eu fui para a Disney, obrigada. 2010 foi um ótimo ano escolar. Eu não me importava com ninguém e me dava bem nas provas sem muito esforço. Esse ano, infelizmente, não está funcionando assim.
Vida de algodão doce
Essa é a parte em que eu falo sobre as coisas que me deixam boba alegre. Tinta, bolha de sabão, grama, piscina, cheiro de flor, árvores gigantes, balões voadores, roda gigante, parque de diversões coloridos, anatomia, piscina de bolinhas, escorregadores, pinta em aquarela, cachorros peludos em qualquer tamanho, origami, luzes coloridas piscantes ou não, pandas, corujas, pipa, coisas com as cores do arco íris/bandeira gay, pokemons, áurea boreal, veados, bambis, carrosséis, cachoeira, rios, bosques, pássaros, morangos, coisas amarelas e azuis, montanhas, vales, bonsais, jogo de tênis,girafas, hipopótamos, bob esponja, casa na árvore, águas vivas, coisas fluorescentes, girassóis, eclipses, balanço, bússolas, guarda chuvas, pontes, pára quedas, orvalho, borboletas, máscaras de bichos, jardins, bob esponja, canecas, precipitado, amendoim com cobertura de chocolate, doces doces doces, potes transparentes, lava lamps, suco com bastante gelo, bibliotecas com estantes hiperlotadas de livros, livros do Calvin, Snoopy, cerejeiras, bonecas russas, flores amarelas, vermelhas e azuis, universo (nebulosas), metrôs/trens, ursos de pelúcias gigantes, cama eslástica, canudos coloridos, escadas, dinossauros, sorvete, jujubas, pássaros voando alto, folhas caídas, reações químicas e o Rafael.
Vida de areia
Aquela parte em que dura o tempo suficiente pra se tornar inesquecível, sabe? Minhas colônias de férias. Sinto saudade de andar de bicicleta, patins e patinete, de jogar espiroball, construir castelos de areia, fazer pinturas, descer em escorregadores, subir naquela casinha dos parquinhos. Comer dindin e sujar a cara toda. Comer 20 algodões doces e dizer “me dá mais um, tio”. Brincar de Barbie era super legal.
Vida amorosa
Tudo começou com o Gustavo e Rafael. Foram os primeiros que eu necessitava da presença deles pra sentir um “algo mais”, mas como já disse, coisa de criança. Felipe então apareceu e me deixava leve com a presença dele. Eu gostava dele isoladamente, ninguém sabia, até que alguém descobriu e contou pra ele. Eu falei que gostava dele e entendi que não era recíproco. Desisti. Fiquei um tempo sem me interessar com esse tipo de coisa, até que apareceram o Luan, o Leonardo e o Caian. Uns pegas ali e de cá e eu tentei me apegar com o Leonardo, mas não deu, ele deixou claro que não queria. Luan me usava, fui perceber só depois de um tempo. Não lembro qual a ordem desses acontecimentos. O último foi o Caian. Eu gostava dele, achava-o lindo, mas ele não se importava. Eu parei de me importar também. Um ano depois apareceu no MSN dizendo que sentia muito e queria uma nova chance. Eu não dou uma nova chance pra me magoar. Ignorei. Esses três eu não tive nenhuma consideração afetiva, apenas carnal. Apareceram uns aí que não me lembro o nome que me queriam, mas eu não. Foi a vez do Pedro. Eu me lembro do momento em que nós no viramos no cinema e plock. Eu me lembro da segunda vez também, muito tempo depois, de outro plock. No parque da cidade. Foi a última vez, apesar de ter certeza que ano passado teria acontecido novamente se eu não tivesse metido a droga do sentimento no meio. Teve o Danilo, amor platônico também conta, né. Ele era magrelo, tinha cabelo bagunçado, inteligente e dizia coisas aleatórias. Ele sabia que eu era louca por ele, mas não tomei atitude e deixei pra lá. Doeu, claro, mas eu consegui superar. Teve o Carlos. Aquela escada nunca será mais a mesma. Eu não queria, mas sabia que ele queria, então trocar um pouco de saliva naquela época não fazia tão mal. Ele correu atrás de mim, depois desistiu, depois eu quis, depois eu desisti e nunca mais nos falamos. Teve a Mariana, mas...enfim. Teve a Bianca também, mas não deu em nada. Depois eu queria a Júlia, mas tive que enfiar a merda do sentimento no meio e não consegui agir. Aí apareceu o Rafael e estou na mesma há 2 anos. Maldito sentimento. Esqueci de mencionar um garoto aí, mas sem importância. Foi no verão de algum ano. Irrelevante. E teve a Rayane, que fazia espanhol comigo. Eu a achava atraente, só isso. Fui apaixonada pela Juliana (Juuuuuh), mas era uma paixão que não necessitava de contato. Ela compartilhava minhas loucuras. Pessoas aleatórias que eu peguei em shows e festas não conta, né? Porque eu nem lembro os nomes.
Vida familiar
Não me lembro da presença da minha mãe na minha infância antes de ir para a segunda série. Só me lembro do meu pai me levando pro colégio. Eu era solitária e passava as tardes com a empregada. Não tive muita presença familiar até hoje. Meu irmão ocupa o tempo dos meus pais e eles automaticamente se esquecem de mim. Meu pai me batia sem motivo. Minha mãe sempre foi passiva de qualquer situação. Eu gostava mesmo era da minha tia. O tempo nos afastou e estou há quase 3 anos sem vê-la. Quando eu era criança meus primos por parte de pai não gostavam de mim, acho. Hoje em dia eu gosto do Ricardo, mas faz muito tempo também que não falo com ele. Nunca senti necessidade de conviver com meus primos por parte de mãe. Passei a odiar minha avó parte de pai por causa do meu irmão e me afastei dela. Eu não gosto do meu pai. Ele nunca me pediu desculpas pelas coisas ruins que ele fez. Eu não gosto da minha mãe. Ela diz uma coisa e faz outra, ou diz que vai fazer algo, mas na verdade continua no comodismo. Meu irmão é um ser que serve para atrapalhar minha vida e causar conflitos entre eu e meus pais. Eu não consigo gostar de ninguém da minha família, excerto os primos por parte de mãe e pai.
Convívio social e o início da internet
Ele serve para nos tirar da bolha, para aprender a viver, para conhecer a realidade. Antes parecia a maior furada, parecia que isso só fazia mal e se isolar era a melhor opção. Não me lembro ao certo em que ano eu conheci o Gabriel (acho que 2003). Ele gostava de mim, escrevia cartas fofas e tudo mais, eu não gostava dele e só gostava das cartas porque eram coloridas. Quando ele se foi em minha vida eu entrei em desespero, chorei todas as noites, passei mais de um ano com dor emocional. Demorou muito para superar e jurei nunca mais desprezar sentimentos verdadeiros. Para controlar a minha tristeza eu comecei a usar internet. Naquela época ainda era discada e pra carregar uma página demorava mais de 2 minutos. Eu ficava brincando no site do iguinho e depois descobri o chat da UOL. Aquilo era perigoso, mas nunca aconteceu nada comigo, ainda bem. Existem pessoas maldosas do outro lado da rede. Aí teve o início da banda larga aqui em casa. Viciei em Ragnarok por causa de uma pessoa que me indicou. Isso foi em 2004. Fui viciada em ragnarok até início de 2007. Teve uma crise aqui em casa por causa da minha avó e troquei ragnarok pelos estudos e por sessões de RPG. Conheci pessoas interessantes na internet como a Evelyn e Lana. Hoje em dia Lana lê minhas crises amorosas e tenta me ajudar. Anteriormente eu já fazia vôlei e resolvi fazer no colégio durante um tempo, até final de 2007. Parei com as sessões de RPG no início de 2009. Concluí o espanhol no final de 2009, acho. Penso, atualmente, fazer novamente aulas de natação e aprender alemão. De 2004 até final do ano passado eu passava horas e horas na frente de um computador. Perdi um bom tempo da minha vida. Rafael reacendeu isso dentro de mim.
Férias de janeiro
Eu gostava de ir a Guarapari até 2007. Depois, de tanto anos indo lá, eu enjoei. Mas acho que foi nesse ano que eu recebi o melhor abraço de todos. Um abraço suado, que me protegia, que dava para sentir a alma da pessoa. Leandro. Não me lembro da conversa, me lembro da areia, do barulho do mar, de como eu estava vestida e como ele veio falar comigo. Nos reencontramos em 2008 em Guarapari, mas foi uma conversa rápida e depois, nunca mais.
Foi lá que eu aprendi a andar, segundo meus pais. Foi lá que coisas horríveis aconteceram. É lá o lugar que eu só pretendo voltar na eminência de minha morte, só para sentir nostalgia.
Atualmente
Atualmente eu tenho bons amigos, estudo com a esperança de conseguir algo bom na vida, tenho problemas psicológicos, sou cheia de manias, ainda gosto das coisas que gostava na infância e odeio o mundo da forma como ele é. Apaixonei-me pelo Rafael em abril de 2009 e o amo nos dias atuais.
Acho que vomitei muitas coisas hoje. É melhor parar por aqui.
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